Flora Eça - Espelho, espelho meu
Espelho, espelho meu (composição minha) Essa música comecei a escrever em um momento de resolução de um conflito interno. Comecei a cantar como se fosse para o meu lado “ruim”, conversando comigo mesma. Como acontece com a maioria das minhas letras, tem coisa que escrevo mas não sei explicar. Busco entender. À medida que começamos a caminhar para conhecer sobre nós mesmos, sobre a existência e até mesmo sobre Deus, é possível que alguns espantos surjam no caminho. No meu caminhar, tenho percebido que o ser humano tem muita treva. Nós somos muito trevosos, ainda. Isso as vezes me assusta. Mas a quantidade de treva me parece que também é a quantidade de luz. Uma simetria perfeita. Ouso dizer, pois sinto, que o tamanho da luz talvez seja ainda maior… pois (de acordo com minha percepção), se a única fonte que é capaz de criar é a força do Amor, e se somos feitos à imagem e semelhança de Deus… de que somos feitos, afinal?! Quem somos nós? Tudo isso são questionamentos que costumo ter enquanto estou lavando a louça ou esperando o ônibus. Gostaria de ser mais “normal” e pensar apenas sobre coisas rotineiras, mas meus pensamentos tem essa tendencia de irem se desdobrando e desdobrando… até chegar em uma das perguntas mais simples e mais profundas; “por que nós existimos?”. Acho que não tem uma semana em que eu não pare e pense “mas por que tudo isso existe?” Da mesma forma que o ser humano conhece menos que 5% do oceano, eu não devo conhecer nem 1% de mim mesma e dos desígnios e dos mistérios de Deus. E enquanto nada sei, eu canto, canto… e através de um espelho, tudo o que sou, penso e sinto se reflete nas minhas canções, que na verdade são rezas. Eu não canto, eu rezo. Não busco impressionar outros músicos, alcançar uma técnica impecável ou uma voz perfeita. O que busco é entender sobre o espírito, sobre o Universo e sobre os assuntos ocultos do coração que flutuam pelo ar e passeiam pelos sonhos da humanidade, vez ou outra se revelando através de grandes Mestres mensageiros do tempo. A vida, a morte e a vida são vírgulas dentro da eternidade. Sigo tentando entender. Quando entendo 0,0001% de alguma coisa… eu venho e escrevo uma canção.
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