Quarto sem janela
Título: Quarto Sem Janela Verso I Andei por dentro de mim como quem pisa em cacos de espelho. Chamava Teu nome em silêncio, mas a vergonha vestia minha voz. Havia ferrugem nas minhas preces, um gosto de noite na boca. Eu me dizia indigno do céu e me escondia até de Ti. Verso II Quando falavam Teu nome eu recolhia os olhos, como se a luz pudesse denunciar as rachaduras do meu peito. Pedia perdão como quem escreve na areia molhada — sabendo que a onda viria apagar qualquer esperança. Refrão Num quarto sem janela eu chorava baixo, com medo que o próprio eco me julgasse. Guardava meus transtornos como cartas nunca enviadas, acreditando que o silêncio era a única oração possível. Verso III Mas houve um dia — não sei dizer se foi aurora ou ferida — em que Tua luz atravessou a fresta que eu jurava não existir. Tuas palavras me encontraram onde eu estava quebrado, e o que era ruína começou a respirar. Ponte Descobri que o perdão não faz barulho. Ele nasce pequeno, como semente sob a terra escura. Refrão Final No mesmo quarto, agora aberto, a noite já não me consome. Teu nome deixou de ser acusação e virou abrigo. E eu — que me sentia inútil — sou instrumento nas Tuas mãos, capaz de recomeçar sem me esconder da luz.
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